Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista em dezembro de 2017, na sede do PT, em São Paulo.
Rovena Rosa/Agência Brasil
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu na pesquisa espontânea do Ibope, de 28% para 22%, o que vai gerar preocupação na cúpula petista porque o recuo pode representar perda de apoio no momento em que o eleitorado começa a se conectar mais com a eleição. Se essa queda se mantiver nas próximas pesquisas e até aumentar, o potencial de transferência de votos do ex-presidente para Fernando Haddad também pode ser afetado.
Lula não foi testado na pesquisa estimulada, porque teve seu registro indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas seu nome aparece na pesquisa espontânea, quando o entrevistado é questionado, sem apresentação de nomes, em quem ele votaria para Presidência da República. Na última pesquisa Ibope, de 20 de agosto, Lula registrava 28%. Agora, tem 22%.
Jair Bolsonaro oscilou positivamente dois pontos. Passou de 15% para 17%, repetindo o mesmo movimento na pesquisa estimulada, na qual passou de 20% para 22%. Ciro Gomes dobrou sua pontuação na espontânea, passando de 2% para 4%. Marina também registrou alta de 1% para 3%. Alckmin, de 2% para 3%. Todos, na verdade, oscilando dentro da margem de erro. Lula, porém, registra queda efetiva de seis pontos.
O recuo nas intenções de votos espontâneas conferidas a Lula vai reforçar o discurso da ala petista que defendia a troca imediata de candidatura de Lula por Haddad. Mas isso só deve acontecer de fato na próxima segunda-feira (10), um dia antes do prazo final determinado pelo TSE ao partido. O temor desta ala é que a demora na troca possa dificultar o trabalho de transferência de votos do ex-presidente para o ex-prefeito de São Paulo.
Na pesquisa Ibope, Haddad ainda não herda votos de Lula na proporção esperada pelo PT. As intenções de votos do ex-presidente acabam sendo distribuídas para quase todos os principais candidatos. Ciro é o principal beneficiado, com crescimento mais acentuado no Nordeste, onde o petista tem muita força eleitoral. Mas Alckmin também sobe. Marina fica estacionada nos 12%, mesmo percentual atingido por Ciro.
Na campanha tucana, a subida de Alckmin foi vista como reflexo do início da propaganda eleitoral. A expectativa, dentro da campanha do PSDB, é que ele cresça mais. Se isso não acontecer, o tucano pode ser vítima do voto útil na definição do eleitorado em quem votar na reta final do primeiro turno. Afinal, hoje três candidatos estão embolados atrás de Bolsonaro: Marina (12%), Ciro (12%) e Alckmin (9%).
Editoria de Arte / G1