O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, ao lado da candidata a vice-presidente Manuela D'Ávila

EVERSON BRESSAN/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Além da cúpula petista, que aposta que Fernando Haddad (PT), no prazo de uma semana, passará ao segundo lugar das pesquisas, os tucanos também avaliam e desejam que esse cenário se confirme. Motivo: o novo candidato do PT pode tirar votos de Ciro Gomes (PDT), principalmente no Nordeste, reduto petista. Aí, além de Haddad ultrapassar Ciro, o pedetista poderia perder intenções de votos numa dimensão que permitiria a Geraldo Alckmin (PSDB) passá-lo, pelo menos numericamente.

A partir daí, os aliados do tucano acreditam que será possível fazer, com mais eficiência, a pregação do voto útil em Alckmin, na linha de que só ele poderia evitar uma vitória de Haddad na eleição. O tucano já está antecipando essa estratégia ao afirmar e repetir que Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno é o passaporte para o PT voltar ao poder, na expectativa de tirar votos de Bolsonaro para o seu campo.

Apesar da desconfiança de muitos analistas, a equipe do PSDB ainda acredita que seu candidato possa crescer em cima de votos de Bolsonaro. As pesquisas internas dos tucanos mostravam, na semana passada, o candidato do PSL perdendo votos. Mas o episódio da facada fez com que ele recuperasse o que havia perdido. E ele teria subido, segundo os tucanos, não com a volta dos votos que vinha perdendo, mas de indecisos, que podem deixar de optar pelo candidato do PSL a partir de um trabalho de desconstrução da imagem dele.

Ou seja, os tucanos ainda apostam numa queda de Bolsonaro, na subida de Haddad e na possibilidade de Alckmin também subir, mesmo pouco, mas o suficiente para ficar no terceiro lugar das pesquisas e chegar nas duas últimas semanas da eleição em condições de chegar ao segundo turno. Essa é uma expectativa do comando da campanha do PSDB, apesar de alguns aliados já estarem começando a ensaiar uma debandada caso Alckmin não reaja.

Entre aliados do tucano, o discurso é que eles estão sim “preocupados, mas ainda não desesperados”. Mas se não houver reação do candidato do PSDB até a semana que vem, aí o clima passará a ser de desespero e risco de abandono da candidatura de Alckmin.

Do seu lado, Ciro sabe que terá de montar uma estratégia para não perder votos para Haddad. Para isso, vai atacar o candidato do PT. Em seu programa na TV e no rádio seguirá com sua campanha baseada em propostas, como a de limpar o nome de brasileiros endividados, mas nos discursos, debates e entrevistas, Ciro vai explorar a linha de que Haddad na Presidência representaria a manutenção do clima de divisão do país e um risco de se repetir o mesmo roteiro de Dilma Rousseff.

Ele já começou a colocar essa estratégia em campo nesta quarta-feira (12), quando disse que o Brasil não aguenta uma nova Dilma Rousseff, a aposta de Lula que não deu certo na Presidência da República.

 

Editoria de Arte / G1


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